domingo, 4 de outubro de 2020

Capítulo I

Entrou no estabelecimento, olhou rapidamente ao redor, viu que havia poucas pessoas e dirigiu-se ao pequeno balcão, onde atrás havia uma pequena garota com trejeitos masculinos atendendo. Felipe sentou-se num dos bancos em frente a um freezer com várias bebidas e com um gesto com a mão direita chamou a atendente que lhe atendeu sem a menor boa vontade:
-- Fala!
Felipe apontou para umas cervejas que estavam na parte superior do freezer e pediu:
-- Quero aquela cerveja ali. É quanto?
-- Oito reais!
Felipe tirou um maço do bolso direito com várias notas de real de todos os valores,separou os oito reais e entregou à atendente,que os pegou rápida e violentamente. Em seguida,pegou a tal cerveja do freezer e a colocou no balcão, na frente dele e perguntou:
-- Mais alguma coisa senhor?
-- Arruma um canudo por favor.
Entregou o canudo a ele e se retirou para o final do balcão.

Enquanto sorvia vagarosamente sua bebida pelo canudo,uma mulher se aproximou dele e se sentou ao seu lado esquerdo. Morena,baixa,aproximadamente 1,55 m,quadris largos,seios fartos,cabelos pretos e longos,alcançando as costas,coxas grossas,usava um shortinho jeans e um top mostrando bem o seu decote. Antes de se sentar,tocou no ombro direito dele e perguntou:
-- Oi gato! Pode me pagar uma bebida? Tô cheia de sede!
Felipe demorou a responder. Sem olhar diretamente para o rosto dela,perguntou:
-- Que que tu bebe?
-- Pode ser uma cerveja também. Vou te acompanhar!
Fazendo um gesto com a latinha na mão, Felipe pediu mais uma cerveja para a atendente,que lhe atendeu prontamente:
-- Mais uma dessa,por favor!
Tirou mais uma vez o maço de dinheiro do bolso direito,separou os oito reais e entregou a atendente,que lhe entregou a cerveja,que por sua vez entregou à mulher,que abriu rapidamente e foi logo dando um trago. Depois do trago,disse:
-- Nossa,tava com uma sede! Obrigada,viu!
E beijou o rosto dele,quase colando seu corpo dele,que por sua vez,ficou paralisado. No entanto,ela continuou a puxar conversa com ele:
-- Você vem sempre aqui? Nunca te vi por aqui...
E ele,se esforçando para olhar no rosto dela,respondeu:
-- Não, entrei por curiosidade e resolvi tomar uma cerveja.
Para descontrair,brincou com ele:
-- Olha que a curiosidade matou o gato,hein!
E deu mais um trago,encostando a outra mão na perna esquerda dele,que riu timidamente. Perguntou o nome dele:
-- Qual é teu nome?
Felipe olhou rapidamente nos olhos dela e respondeu:
-- Felipe!
E ela,estendendo a mão direita para ele,que a apertou,se apresentou:
-- Aline! É um prazer te conhecer!
E deu mais um trago na bebida.

Apesar da timidez de Felipe,a conversa fluiu bem,graças aos esforços e iniciativas de Aline,que não deixava a conversa morrer. Felipe também era baixo,uns cinco centímetros mais alto que ela,também moreno,magro,mal vestido,barba por fazer,com costeleta,cabelo curto mas feio,sobrancelhas grossas e tinha o andar comprometido,andando sempre mancando. Conversaram sobre inúmeros assuntos,ele sempre falando mais do que ela e muito sobre si; ela,perguntando muito. E,enquanto conversavam,eles bebiam,ela bebendo mais do que ele. Aline tinha trinta e seis anos e Felipe,trinta e sete. Felipe era sócio num barzinho em Vilar dos Teles,onde também morava. Viera do Alagoas,com sete anos de idade,junto com sua família e, aqui no Rio de Janeiro,o pai abriu uma pequena birosca,depois de trabalhar três anos na construção civil,na qual todo mundo trabalhava. Depois,já grande,com os problemas de saúde de seus pais,teve que assumir a birosca, junto com seus quatro irmãos. Então, apareceu Jadir,seu sócio, que comprou as partes deles,por quantias insignificantes,já que,por um motivo ou outro,eles precisavam de dinheiro, menos a dele,é claro, já que ele não havia conseguido. Depois,com um bom capital investido, transformaram aquela birosca num bar que oferecia uma maior gama de produtos. Já Aline morava em Parada de Lucas. Aliás, a idade e onde morava,além de algumas pequenas informações não muito importantes eram as poucas coisas que ele soube dela,que por sua vez soube bem mais coisas dele. Aos poucos Felipe deixava a timidez de lado e interagia mais com Aline,que avançava mais em direção a ele.

-- Se eu tivesse que ter um namorado,teria que ser um assim como você!
Disse Aline,abraçando-o e encostando a cabeça no ombro dele. Felipe ficou um tanto sem graça com a declaração dela e disse:
-- Ah,que isso! Até parece que uma mulher gata como você ia querer um homem feio que nem eu! Deve ter uma fila de caras a fim de você, brigando pra te namorar!
Aline olhou-o nos olhos,ele fugiu um pouco,olhando-a com o canto dos olhos,e disse:
-- Acho que é você que não ia querer namorar uma mulher feia e velha que nem eu! Ia preferir uma garotinha!
Ficaram em silêncio por um segundo. Aline resolveu se despedir:
-- Olha,vou sair,vou te deixar em paz! Obrigado pelas bebidas!
E deu um selinho nele. Mas, ao tentar se afastar,foi segura levemente pelo braço por ele,que com um olhar de suplica pediu:
-- Fica! Vamos conversar mais um pouco!
Aline olhou por um segundo para ele hesitante. Então, chegou bem perto dele e disse em seu ouvido esquerdo,já com ele virado em sua direção:
-- Bora continuar conversando em outro lugar! Tem um quarto lá atrás, lá nos fundos que a gente pode ficar mais à vontade! Bora lá!
Felipe olhava-a assustado,hesitante,sem saber o que fazer,sem saber o que falar. Aline ainda insistiu mais uma vez, pegando na mão esquerda dele:
-- Bora lá! Prometo que não vai se arrepender!
Mas Felipe continuava na mesma hesitação,na mesma dúvida.

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25.04.2024

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