terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Bar

Bar 360
Aberto de domingo à domingo
De segunda à sábado, das sete às dez da noite e aos domingos,das oito às três da tarde
Abertura: das seis às quatro da tarde
Fechamento: das três da tarde às onze da noite

Capítulo VII OK

Na verdade na verdade desde aquele momento em que saiu daquele estabelecimento, desde o momento em que se despediu de Aline com aquele súbito e inesperado beijo,Felipe contava as horas para voltar lá e reencontrar a sua amada,pegar o contato dela de novo. Porém, havia um problema: de acordo com a escala pré estabelecida entre ele e Jadir para aquele mês, sua próxima folga seria apenas no próximo domingo. Agora Felipe estava em casa,dormindo, às duas e sete da manhã de uma terça-feira.

Na terça e na quarta, começou a trabalhar mais cedo que o habitual,às três da tarde,indo até às onze da noite,já que tinha que fazer algumas coisas depois que o bar fechava,às dez. Já na quinta,na sexta e no sábado, começou a trabalhar cedo,às seis,já que também tinha que fazer algumas coisas antes de abrir,às sete,indo até três da tarde. Na terça e na quarta,trabalhou com Juliana,aquela senhora que havia trabalhado mais tarde com Jadir na segunda-feira,por causa da falha de Felipe. E na quinta,na sexta e no sábado, trabalhou com Viriato,um garoto de quinze anos que também trabalhava com eles,filho de baianos,para ajudar à família.

Era patente para todos,no semblante de Felipe,o seu sofrimento, a sua angustia,pela saudade que sentia de Aline. Só não sabiam da causa,do motivo. Desde o momento em que acordava até o momento de dormir,Felipe pensava nela e a maior parte do tempo ficava com os olhos marejados,prestes a chorar. E isso influenciou muito em seu desempenho profissional, no atendimento aos fregueses,chegando a discutir,a tratar mal alguns deles. Apesar de todos notarem,Juliana foi a única a chegar nele e perguntar pelo o que estava acontecendo. Mas,este,desconversou e disse que " preferia não dizer nada por enquanto". Jadir dizia que aquilo não era assunto de seu interesse," coisa pessoal dele", que " não se metia na vida pessoal" de seus colegas de trabalho,que " só o profissional lhe interessava". E Viriato não tinha coragem de chegar perto e perguntar, com medo de levar mais um fora,como sempre levava das pessoas. Por fim,chegou o sábado. Mas,apesar de todo sofrimento, toda angústia, toda ansiedade pela qual passara a semana inteira,agora Felipe estava em dúvida se seria bom ou não voltar lá. A lembrança do assalto,do terror que passou nas mãos daqueles bandidos o atormentava,o que o fazia não querer voltar lá. Mas,a saudade de sua amada Aline,a vontade de vê-la de novo o fazia querer voltar. E assim,ele ficou nessa indecisão durante todo o dia de sábado e domingo também, até a mesma hora em que no domingo anterior ele havia saído de casa.

Mesmo assim,ansioso,indeciso e temeroso resolveu sair de casa e ir até lá reencontrar a sua amada,fazendo questão de perfazer o mesmo trajeto que havia feito na semana anterior,para " garantir" que desse tudo certo...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Capítulo VI OK

Felipe acordou assustado com as diversas batidas com força que eram dadas em sua porta. A pessoa do lado de fora gritava " Felipe!" diversas vezes e batia na porta; algumas vezes parecia que dava socos. Demorou alguns segundos para Felipe reconhecer de quem era a voz da pessoa que estava do lado de fora: era Jadir,seu sócio no barzinho. Felipe levantou-se,caminhou até à porta e a abriu,ainda meio sonolento, para ele,que entrou sem pedir licença.

-- Caralho, cara,onde tu tava!? Eu e a Juliana tamo no bar até agora,esperando tu aparecer pra render a gente! A menina tá até agora lá servindo mesa,cozinhando,eu tô lá desde às seis da manhã! Que que aconteceu cara!? Tu era pra ter aparecido lá cinco horas da tarde,cinco horas nada!
Jadir era um senhor,alto e robusto, cinqüenta e um anos de idade,descendente de portugueses,cabelo curto,usava barba, bigode e óculos. Felipe,por sua vez,não respondeu nada,apenas perguntou,o que deixou Jadir abismado:
-- Que horas são?
-- Sete horas!
Respondeu Jadir. Na verdade eram seis e quarenta e seis. Mas,como Jadir gostava de arredondar as horas... Enquanto caminhavam para o bar ali perto,Felipe lhe contava toda a história do assalto,de que perdera todo dinheiro; que tivera que dormir na rua e pular o muro da ferrovia. Enfim,chegaram ao bar,que naquele momento havia esvaziado já um pouco.

-- Dona Juliana,a senhora já pode ir embora! Obrigado aí pela ajuda! Final do mês a gente dá um agradinho pra senhora!
Juliana era uma senhora negra,de 65 anos,já aposentada,que trabalhava no bar deles para complementar a aposentadoria. Era sem carteira assinada,ganhava diretamente na mão mesmo. Muitas vezes trabalhava dez,doze horas por dia,por conta própria mesmo,já que não gostava muito de ficar em casa,pois era uma pessoa solitária.
-- Amanhã eu chego aí meio dia!
Disse Juliana,antes de ir embora. Felipe também se despediu dela:
-- Já é Dona Juliana! Vai com Deus!
-- Também vou meter o pé, Felipe! Tô cansado! Espera aí Dona Juliana,eu te dou uma carona!
E saiu,dirigindo-se ao seu Celta azul. De trás do balcão, Felipe via Jadir abrir a porta do carro para Juliana, depois embarcar e partir com o carro.

Naquele dia o bar funcionou até às onze da noite,com um movimento tranquilo,como era naquele dia da semana. Felipe não conseguia deixar de pensar em Aline e na ideia fixa de reencontrá-la. Pôs até umas três músicas românticas para tocar no aparelho e em cada uma delas,enquanto as ouvia pensava em Aline. Fechou o bar e foi andando até em casa. Já no silêncio da solidão da sua casa, Felipe ainda pensava em Aline e em encontrá-la mais uma vez. Foi dormir às três da manhã.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Capítulo V OK

No entanto,ao caminhar em direção à estação, viu alguém pulando o muro com a ajuda de uma perna de três que estava encostada,em diagonal. Enquanto caminhava até lá, outras seis pessoas pularam o muro. Mas,ao chegar lá, e tentar também, teve uma grande dificuldade, enquanto outras pessoas esperavam impacientemente atrás dele. Um homem,aparentemente entre cinqüenta e sessenta anos,branco e barbudo,usando um chapéu, camiseta azul e jeans também azul,pediu licença a ele,e subiu no muro,sentando. Então, estendeu as mãos para Felipe, e o ajudou a pular,ainda com dificuldade,e caminharam até à plataforma,ajudando Felipe também a subir.

Em menos de seis minutos o trem chegou,lotado. Com dificuldade Felipe conseguiu embarcar,ficando na porta,com um homem gordo encostando o braço em sua barriga,fazendo-o ter um grande incômodo. Assim ele foi até Triagem,onde desembarcou para fazer a baldeação para o ramal Belford Roxo. Nesse trem ele foi dormindo até à estação Pavuna,o que o impediu de ver os diversos indivíduos " estranhos",do mesmo naipe daqueles que o haviam assaltado, que embarcavam e desembarcavam. Desembarcou e foi até um terminal de vans com destinos para diversos bairros da Baixada Fluminense. Lá, procurou por um motorista que fazia a rota que o levaria até Vilar dos Teles conhecido por cafezinho. Para sua sorte,ele ainda estava lá. Como ele era cliente assíduo de seu barzinho,deixou Felipe embarcar de graça, em troca de um baldão de cerveja posteriormente.

Assim,apesar de tudo,e de todos,Felipe conseguiu chegar,exausto,ao seu bairro. Agora,tudo o que ele queria era deitar e dormir até às cinco da tarde,quando começaria o seu turno no barzinho. Durante todo trajeto até ali não conseguira deixar de pensar em Aline,em quando a  encontraria novamente. Sequer passou pelo barzinho no caminho,tendo preferido outro trajeto,mais curto,para casa. Chegou,abriu o portão, entrou e fechou-o,abriu a porta e fechou-a,e,sem acender uma luz,caminhou até o sofá e ali mesmo desabou,dormindo pesadamente rapidamente.

Mais uma vez Felipe sonhou com Aline. Dessa vez,ele aparecia naquele estabelecimento com um buquê de rosas vermelhas e o entregava a Aline. Mas esta o rejeitava,deixando cair no chão e do nada aparecia um homem,que Felipe não conseguia identificar e a beijava ardentemente. E Felipe chorava copiosamente ali. Depois,o homem o olhava,zombando dele,junto com Aline. Agora Felipe conseguia identificá-lo: era o bandido que o havia assaltado. Agora,além de ficar inconsolável, também estava espantado. Então, do nada,Felipe ouve um forte barulho de batidas na porta...

25.04.2024

Bananada 133 74,7% R$66,5 45,4% R$15,96 Cocada branca 16 50,0% R$16 10,9% R$5 Cocada preta 30 93,8% R$30 20,5% R$9,38 Pipoca 10 50,0% R$20 1...