Felipe caminhava pela rua radiante,como se aquele dia,no qual faltavam um pouco mais de duas horas para terminar, tivesse sido o mais feliz da sua vida. Então, na terceira rua,foi surpreendido com um forte empurrão, indo parar de encontro ao muro. Quando deu por si,um homem pardo,um pouco mais alto que ele,robusto,o imprensava no muro,encostando um revolver na altura da sua barriga,enquanto outro,de capacete,estava numa moto,com a mão direita na cintura,aparentemente com um volume,parecendo ser uma arma. Nessa hora Felipe pensou que poderia morrer sem voltar a ver o grande amor de sua vida,que conhecera recentemente. O meliante que o ameaçava também estava de capacete,aparentemente nervoso,perturbado.
-- Vambora filho da puta,o dinheiro, bora caralho!
Gritou. Mesmo nervoso também, Felipe ainda tentou amenizar a situação,negociar com o assaltante:
-- Calma,calma! Pode levar o que tenho aqui,não importa! Mas por favor,não me machuca!
Botou a mão,tremendo um pouco,no bolso,para retirar aquele maço de dinheiro,mas foi agredido pelo assaltante com dois tapas no rosto,que ainda gritou com ele:
-- Que que tu pensa que tá fazendo,filho da puta? Tá armado? Tá armado?
Deu mais um tapa no rosto dele e o revistou. Nisso,achou aquele maço de dinheiro. Quando Felipe achou que seria liberado depois de perder tudo e ainda levar um esculacho,o comparsa da moto que estava dando apoio à situação gritou:
-- Mata,mata esse filho da puta,arrombado,mata!
Nessa hora veio um sentimento de desânimo junto com outro de tristeza,pela certeza de que iria morrer ali naquela hora.
-- Bora,porra! Mata logo esse filho da puta! Daqui a pouco os verme passa,aí a gente tá fudido! Não quero puxar cadeia de novo não, hein!
-- Tira o tênis,porra! Tira o tênis! Já que tu vai morrer mermo,não vai precisar dessa porra! Tira,caralho!
Já um pouco mais nervoso,quase chorando,Felipe abaixou-se e começou a tirar o calçado, pelo pé esquerdo. Irritado com a demora dele,o assaltante deu-lhe um chute nas nádegas, gritando:
-- Vambora,porra! Vambora filho da puta!
Mas,mesmo assim,ele conseguiu tirar o calçado, que foi pego pelo assaltante que estava na moto. Então, levantou-se. O assaltante que o havia rendido deu mais um tapa e agora um soco no rosto dele,encostou o cano da arma na bochecha esquerda, e disse sorrindo:
-- Vai morrer,porra!
Nessa hora, Felipe preferiu ficar de olhos fechados,lacrimejados. Então, o som de dois tiros ecoou pela rua.
O meliante deu dois tiros: um para o alto e outro,em direção ao muro,esse com a arma perto da orelha esquerda de Felipe,o que o fez abaixar-se e ficar de cócoras no chão, em posição ventral,chorando. Depois disso,os assaltantes subiram na moto e saíram dali em alta velocidade. Uma senhora, que presenciara tudo assustada,do outro lado da rua,aproximou-se devagar,e perguntou:
-- Você foi assaltado,meu filho?
Felipe preferiu se levantar e sair dali sem dizer uma só palavra,o que fez aquela senhora exclamar, abismada:
-- Nossa!