Na verdade na verdade desde aquele momento em que saiu daquele estabelecimento, desde o momento em que se despediu de Aline com aquele súbito e inesperado beijo,Felipe contava as horas para voltar lá e reencontrar a sua amada,pegar o contato dela de novo. Porém, havia um problema: de acordo com a escala pré estabelecida entre ele e Jadir para aquele mês, sua próxima folga seria apenas no próximo domingo. Agora Felipe estava em casa,dormindo, às duas e sete da manhã de uma terça-feira.
Na terça e na quarta, começou a trabalhar mais cedo que o habitual,às três da tarde,indo até às onze da noite,já que tinha que fazer algumas coisas depois que o bar fechava,às dez. Já na quinta,na sexta e no sábado, começou a trabalhar cedo,às seis,já que também tinha que fazer algumas coisas antes de abrir,às sete,indo até três da tarde. Na terça e na quarta,trabalhou com Juliana,aquela senhora que havia trabalhado mais tarde com Jadir na segunda-feira,por causa da falha de Felipe. E na quinta,na sexta e no sábado, trabalhou com Viriato,um garoto de quinze anos que também trabalhava com eles,filho de baianos,para ajudar à família.
Era patente para todos,no semblante de Felipe,o seu sofrimento, a sua angustia,pela saudade que sentia de Aline. Só não sabiam da causa,do motivo. Desde o momento em que acordava até o momento de dormir,Felipe pensava nela e a maior parte do tempo ficava com os olhos marejados,prestes a chorar. E isso influenciou muito em seu desempenho profissional, no atendimento aos fregueses,chegando a discutir,a tratar mal alguns deles. Apesar de todos notarem,Juliana foi a única a chegar nele e perguntar pelo o que estava acontecendo. Mas,este,desconversou e disse que " preferia não dizer nada por enquanto". Jadir dizia que aquilo não era assunto de seu interesse," coisa pessoal dele", que " não se metia na vida pessoal" de seus colegas de trabalho,que " só o profissional lhe interessava". E Viriato não tinha coragem de chegar perto e perguntar, com medo de levar mais um fora,como sempre levava das pessoas. Por fim,chegou o sábado. Mas,apesar de todo sofrimento, toda angústia, toda ansiedade pela qual passara a semana inteira,agora Felipe estava em dúvida se seria bom ou não voltar lá. A lembrança do assalto,do terror que passou nas mãos daqueles bandidos o atormentava,o que o fazia não querer voltar lá. Mas,a saudade de sua amada Aline,a vontade de vê-la de novo o fazia querer voltar. E assim,ele ficou nessa indecisão durante todo o dia de sábado e domingo também, até a mesma hora em que no domingo anterior ele havia saído de casa.
Mesmo assim,ansioso,indeciso e temeroso resolveu sair de casa e ir até lá reencontrar a sua amada,fazendo questão de perfazer o mesmo trajeto que havia feito na semana anterior,para " garantir" que desse tudo certo...
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