Felipe acordou assustado com as diversas batidas com força que eram dadas em sua porta. A pessoa do lado de fora gritava " Felipe!" diversas vezes e batia na porta; algumas vezes parecia que dava socos. Demorou alguns segundos para Felipe reconhecer de quem era a voz da pessoa que estava do lado de fora: era Jadir,seu sócio no barzinho. Felipe levantou-se,caminhou até à porta e a abriu,ainda meio sonolento, para ele,que entrou sem pedir licença.
-- Caralho, cara,onde tu tava!? Eu e a Juliana tamo no bar até agora,esperando tu aparecer pra render a gente! A menina tá até agora lá servindo mesa,cozinhando,eu tô lá desde às seis da manhã! Que que aconteceu cara!? Tu era pra ter aparecido lá cinco horas da tarde,cinco horas nada!
Jadir era um senhor,alto e robusto, cinqüenta e um anos de idade,descendente de portugueses,cabelo curto,usava barba, bigode e óculos. Felipe,por sua vez,não respondeu nada,apenas perguntou,o que deixou Jadir abismado:
-- Que horas são?
-- Sete horas!
Respondeu Jadir. Na verdade eram seis e quarenta e seis. Mas,como Jadir gostava de arredondar as horas... Enquanto caminhavam para o bar ali perto,Felipe lhe contava toda a história do assalto,de que perdera todo dinheiro; que tivera que dormir na rua e pular o muro da ferrovia. Enfim,chegaram ao bar,que naquele momento havia esvaziado já um pouco.
-- Dona Juliana,a senhora já pode ir embora! Obrigado aí pela ajuda! Final do mês a gente dá um agradinho pra senhora!
Juliana era uma senhora negra,de 65 anos,já aposentada,que trabalhava no bar deles para complementar a aposentadoria. Era sem carteira assinada,ganhava diretamente na mão mesmo. Muitas vezes trabalhava dez,doze horas por dia,por conta própria mesmo,já que não gostava muito de ficar em casa,pois era uma pessoa solitária.
-- Amanhã eu chego aí meio dia!
Disse Juliana,antes de ir embora. Felipe também se despediu dela:
-- Já é Dona Juliana! Vai com Deus!
-- Também vou meter o pé, Felipe! Tô cansado! Espera aí Dona Juliana,eu te dou uma carona!
E saiu,dirigindo-se ao seu Celta azul. De trás do balcão, Felipe via Jadir abrir a porta do carro para Juliana, depois embarcar e partir com o carro.
Naquele dia o bar funcionou até às onze da noite,com um movimento tranquilo,como era naquele dia da semana. Felipe não conseguia deixar de pensar em Aline e na ideia fixa de reencontrá-la. Pôs até umas três músicas românticas para tocar no aparelho e em cada uma delas,enquanto as ouvia pensava em Aline. Fechou o bar e foi andando até em casa. Já no silêncio da solidão da sua casa, Felipe ainda pensava em Aline e em encontrá-la mais uma vez. Foi dormir às três da manhã.
Nenhum comentário:
Postar um comentário